NUTROLOGIA

A nutrologia é a especialidade médica voltada para a prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais.

Em geral, a figura do médico nutrólogo é associada ao gerenciamento do peso, mas a sua atividade é muito mais abrangente.

Não é segredo que o comportamento alimentar está relacionado ao desenvolvimento de doenças comuns, como anemia, obesidade, hipertensão arterial e diabetes. Mas a alimentação desequilibrada também é fator preponderante para o desenvolvimento de inúmeros outros problemas de saúde.

Em seguida, estão relacionadas algumas situações em que a atuação do médico nutrólogo é importante.
Acompanhamento do estado nutricional para prevenção de doenças e promoção de uma longevidade saudável.

Um indivíduo normal, sem qualquer doença, pode ingerir todos os nutrientes necessários através de uma dieta equilibrada, com conteúdo adequado de frutas, verduras e legumes. Também pode conservar a sua saúde com hábitos saudáveis e prática regular de exercícios. Entretanto, o estresse da vida moderna impõe restrições que alteram o estilo de vida de uma boa parcela da população.

Infelizmente, a maior parte das pessoas é sedentária e/ou não consegue manter uma alimentação adequada. Além disso, muitos indivíduos são mais vulneráveis devido ao estresse físico e mental do trabalho, poluição dos grandes centros urbanos, tabagismo e consumo abusivo de bebidas alcoólicas.

Solicitação e avaliação de exames para o diagnóstico de possíveis desequilíbrios nutricionais.

JOSEP Mª DUOCASTELLA HERNANDEZO médico é o profissional indicado para solicitação e interpretação de exames complementares.

O nutrólogo reconhece as necessidades individuais do paciente e pode solicitar os testes mais adequados, considerando os sinais e sintomas, condições e hábitos de vida, antecedentes de saúde e história de saúde da família.

Para os esportistas, a realização de exames preventivos é indispensável. Essa avaliação deve ser entendida como uma prova de segurança para prática de exercícios. Além disso, pode contribuir para o ajuste da intensidade do treinamento físico e determinar quais as atitudes principais necessárias para a obtenção do desempenho máximo.

Reposição das carências nutricionais e uso de suplementos vitamínicos.

GR-Nutro-Dr-Guilherme-Augusto-Rolim-de-Moura-suplementoA carência de nutrientes ocorre frequentemente devido ao consumo dietético inadequado em quantidade e/ou qualidade. Diversos fatores podem comprometer a ingestão adequada dos nutrientes, como o estilo de vida, o aumento das demandas nutricionais, a restrição alimentar, a exclusão de alimentos-fonte, a desinformação sobre hábitos saudáveis.

A falta de um nutriente muitas vezes não causa sintomas evidentes e pode passar despercebida. Alguns sinais inespecíficos, como o cansaço, mal-estar, dor de cabeça e falta de apetite, podem representar a falta de alguma vitamina ou mineral. À medida que a deficiência nutricional se prolonga, pode causar diversas repercussões negativas e alterações da saúde que muitos desconhecem (distúrbios hormonais, diminuição da libido, redução da fertilidade, comprometimento da imunidade, prejuízo dos processos de cicatrização, lesões de pele e mucosas, irritabilidade, dificuldade de concentração e raciocínio, etc.).

Um assunto polêmico e que interessa muito aos pesquisadores é o potencial terapêutico das vitaminas. Os estudos científicos apontam que algumas vitaminas apresentam propriedades especiais e podem ser empregadas para tratamentos clínicos. Um exemplo clássico é o uso da vitamina E para o controle da dor mamária nas mulheres. E a tão conhecida vitamina D? Há muito tempo, ganhou popularidade devido a sua importância para o metabolismo do cálcio e a saúde dos ossos. Pesquisas recentes comprovaram a ação da vitamina D na modulação das células do sistema imune e ela passou a ser indicada para controle da esclerose múltipla e outras doenças autoimunes. As novas descobertas mudaram os conceitos e a vitamina D já é considerada por muitos um tipo de hormônio.

Contudo, não é recomendado usar vitaminas sem uma orientação médica. A necessidade de suplementação sempre precisa ser avaliada individualmente.

Controle do peso e emagrecimento.

Mais da metade da população brasileira está fora da faixa de peso considerada adequada. Os dados são extremamente preocupantes, sobretudo se considerarmos a prevalência crescente da obesidade, já apontada pela Organização Mundial da Saúde como um dos maiores problemas de saúde pública do mundo moderno.

Você sabe se o seu peso é normal? O IMC, ou índice de massa corporal, é um método simples e muito conhecido utilizado para a classificação do peso. Esse índice, obtido pela razão entre o peso do indivíduo (em quilos) e o quadrado da altura (em metros), tem sido o principal parâmetro aplicado na prática médica para avaliação do peso. A sua utilização é amparada por estudos científicos populacionais que demonstram correlação entre o índice e a mortalidade.

A tabela abaixo apresenta a classificação do peso conforme o índice de massa corporal (clique aqui para calcular o seu índice).

 

ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC) = (peso) / (altura)2

ÍNDICE (kg/m2)

CLASSIFICAÇÃO

< 18,5

Baixo peso (desnutrição)

18,5 – 24,9

Peso normal

25 – 29,9

Sobrepeso (pré-obesidade)

30 – 34,9

Obesidade classe I

35 – 39,9

Obesidade classe II

 

O resultado do IMC deve ser interpretado com cautela, pois o índice não é um indicador da composição corporal. Atletas e indivíduos musculosos normalmente têm esse índice aumentado e não podem ser classificados como obesos. Na verdade, não se pode confundir aumento do peso com obesidade. Uma pessoa com obesidade tem excesso de gordura corporal em relação à massa magra. Também é importante considerar que a distribuição da gordura corporal é um fator relevante para avaliação dos riscos relacionados à obesidade. Sabe-se que a gordura abdominal, particularmente a visceral, está associada a diversas complicações metabólicas. Para uma análise mais completa, o nutrólogo pode aplicar outros métodos indicados para avaliação da distribuição da gordura e determinação da composição corporal (medida da circunferência abdominal, cálculo da relação cintura-quadril, medida das pregas cutâneas, bioimpedanciometria, calorimetria indireta, etc.).

Quando se verifica que uma pessoa tem baixo peso ou obesidade, em primeiro lugar, é necessário compreender se a alteração do peso não tem uma causa subjacente. Por isso, antes de se submeter a um tratamento dietético, todo indivíduo que busca o controle do peso deve realizar uma investigação complementar conduzida por um médico qualificado. Também é preciso constatar se não há deficiências de nutrientes, frequentes inclusive na população com excesso de peso.

Atingir o peso ideal não é uma tarefa fácil, pois exige muita disciplina e mudança do comportamento. O primeiro passo é aceitar um novo estilo de vida e considerar que cada mudança incorporada ao cotidiano é um investimento na saúde. O acompanhamento de um nutrólogo é essencial para a utilização das estratégias terapêuticas mais adequadas para cada caso. O suporte de um profissional especializado também ajuda no gerenciamento e manutenção dos resultados obtidos.

Pré e pós-operatório da cirurgia da obesidade (bariátrica).
As deficiências de nutrientes, especialmente vitaminas e minerais, são muito mais frequentes nos indivíduos em que a absorção gastrointestinal está comprometida, condição comum após a cirurgia da obesidade (bariátrica). A gravidade dessas deficiências depende da técnica cirúrgica empregada (conforme a mudança do trato gastrointestinal instituída). As carências mais comuns são de proteína, ferro, cálcio, zinco, cobre, ácido fólico, vitaminas A, B1, B12, C, D e K. O monitoramento do nutrólogo é considerado fundamental para a adequada orientação dos pacientes e prevenção das deficiências.
Orientação dietética para tratamento de diversas enfermidades crônicas.

O gasto energético e as necessidades nutricionais de um indivíduo podem variar de acordo com a sua condição de saúde. Em muitas doenças crônicas (tais como hipertensão arterial, diabetes, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, osteoporose, insuficiência renal, câncer, HIV/AIDS, etc.) os pacientes precisam adotar hábitos saudáveis e alguns cuidados alimentares que são componentes importantes do tratamento. É imprudente que um indivíduo com diabetes, por exemplo, não diminua a ingestão de açúcar ou não se preocupe com a manutenção do seu peso ideal.

A qualidade da dieta frequentemente tem impacto no prognóstico e pode aumentar a sobrevida do paciente. Por isso, o aconselhamento nutricional é muitas vezes indispensável.

O objetivo da orientação do nutrólogo é melhorar o estado de saúde do paciente a partir do planejamento da dieta, adaptação da ingestão calórica diária, inclusão de fontes de nutrientes importantes e suplementação alimentar (quando necessária). O controle do peso também é um fator fundamental, pois tem repercussão positiva para uma diversidade de desordens clínicas.

Diagnóstico e tratamento das intolerâncias e alergias alimentares.

A maioria das pessoas tem ocasionalmente dor abdominal, acúmulo de gases, diarreia e prisão de ventre. É comum pressupor que essas alterações são manifestações normais do aparelho digestivo. Entretanto, a medicina já identificou uma diversidade de situações patológicas que podem ocasionar desordem da função intestinal. Nesse contexto, as intolerâncias e alergias alimentares merecem atenção especial.

Um indivíduo pode desenvolver uma intolerância digestiva ou alergia relacionada ao consumo de um alimento comum, como o leite, por exemplo, mas não reconhecer os sinais e as repercussões negativas para o organismo.

No caso das intolerâncias alimentares, os sintomas estão geralmente relacionados ao trato gastrointestinal e podem ser bastante desconfortáveis de acordo com o tipo e quantidade do alimento ingerido. Já as alergias alimentares costumam provocar sintomas variados, entre eles erupções cutâneas, edema dos lábios e pálpebras, tosse, falta de ar, vômitos, diarreia, etc. Além disso, tanto as intolerâncias alimentares quanto as alergias causam desarmonia da flora intestinal, também conhecida como disbiose. Enquanto o desequilíbrio intestinal permanece, causa prejuízo das funções digestivas e compromete a absorção de nutrientes.

Suporte nutricional para atletas e esportistas, independente da modalidade esportiva.

Os indivíduos com perfil atlético, tanto os que praticam esporte em nível recreativo quanto aqueles que participam de competições, sem dúvida têm necessidades nutricionais diferenciadas.

A alimentação saudável, adequada à modalidade esportiva e intensidade do exercício, deve ser entendida como o ponto de partida para a obtenção do desempenho máximo. Entretanto, muitos não conseguem suprir as demandas nutricionais através de uma alimentação regular e têm prejuízo do seu rendimento físico.

A suplementação, quando bem indicada e combinada com técnicas apropriadas de treinamento, pode aumentar a disposição e a resistência física, impulsionar o ganho de massa muscular (hipertrofia), melhorar a recuperação após os treinos e a recuperação das lesões relacionadas ao esporte.

A escolha do(s) suplemento(s) deve considerar, em primeiro lugar, as necessidades individuais do esportista. O momento adequado do seu uso e a quantidade a ser administrada devem ser ajustados conforme a intensidade e tempo de trabalho muscular. É oportuno empregar os nutrientes apropriados em sincronismo com o metabolismo muscular.

Suporte nutricional para gestantes e lactantes.

GR-Nutro-Dr-Guilherme-Augusto-Rolim-de-Moura-GestanteA gestação compreende um período de grandes transformações no organismo da mulher. As mudanças implicam em aumento das necessidades nutricionais e alguns cuidados são necessários para garantir a saúde da mãe e o desenvolvimento de um bebê saudável. Por isso, o acompanhamento do nutrólogo é recomendado desde o início da gravidez.

A quantidade e qualidade dos nutrientes necessários variam conforme o estado de saúde da gestante, a fase da gestação e o nível de atividade física. Seguir uma dieta balanceada é essencial para que o ganho de peso não se torne insuficiente ou ultrapasse o esperado para a idade gestacional. Além disso, a melhora dos hábitos alimentares é importante para prevenir e tratar alterações comuns das funções digestivas, como náuseas, vômitos, azia e constipação (prisão de ventre).

Após a gestação, tem início a fase da amamentação, quando a alimentação também merece atenção destacada. A dieta durante esse período deve prover os nutrientes para as necessidades básicas da mãe e para suprir as exigências do organismo relativas à produção do leite materno. A falta de conhecimentos, os mitos, a nova rotina e o desejo de perder o peso adquirido durante a gravidez colaboram para a adoção de hábitos alimentares inadequados e muitas vezes prejudiciais à saúde.

Suporte nutricional para pacientes idosos.

GR-Nutro-Dr-Guilherme-Augusto-Rolim-de-Moura-idosoCom o avançar da idade, a falta de alguns micronutrientes se torna mais comum devido à perda de apetite, dificuldade de mastigação e deglutição, problemas de má absorção, surgimento de doenças e uso de medicamentos que alteram o metabolismo. As deficiências nutricionais têm como consequência um estado de “fome oculta” que pode afetar a qualidade de vida e a saúde.

A desnutrição é muito frequente na população idosa e causa aumento considerável da morbidade e mortalidade. O desequilíbrio nutricional na velhice causa apatia geral, perda da massa muscular, fadiga, fragilidade óssea, diminuição da imunidade e pode acelerar o comprometimento das funções cognitivas (atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, etc.).

Tratamento dietético e acompanhamento de indivíduos com transtornos alimentares, como anorexia e bulemia.

Os transtornos alimentares são doenças caracterizadas por alterações do padrão de comportamento alimentar e podem causar graves prejuízos à saúde de um indivíduo. O diagnóstico precoce e uma abordagem terapêutica adequada são fundamentais para o prognóstico dessas condições.

Os distúrbios do comportamento alimentar são mais prevalentes na população feminina e geralmente apresentam as suas primeiras manifestações na adolescência. Porém, recentemente, está havendo um aumento da frequência desses problemas de saúde em homens.

Os fatores psicossociais provavelmente são os mais relevantes na gênese dos transtornos alimentares. Os padrões estéticos atuais e a valorização extrema do corpo magro contribuem muito para as mudanças de comportamento alimentar. Normalmente, o indivíduo tem certos traços da personalidade que levam à manutenção do problema, como ansiedade, impulsividade, baixa autoestima, introversão e perfeccionismo. É frequente a coexistência de transtornos alimentares com transtornos de humor, transtornos de ansiedade e dependência química.

Existem diversos tipos de transtornos alimentares relatados na literatura médica. Os mais conhecidos são apresentados abaixo.

  • Anorexia nervosa (indivíduos com acentuada perda de peso relacionada ao medo intenso de engordar e à distorção da imagem corporal).
  • Bulemia (indivíduos com preocupação excessiva com o peso e a forma física, que fazem exercícios físicos excessivos, adotam medidas purgativas e fazem uso abusivo de anorexígenos).
  • Hiperfagia (indivíduos com aumento anormal do apetite e consumo alimentar exagerado, normalmente após algum evento traumático).
  • Transtorno da compulsão alimentar periódica (indivíduos com episódios repetitivos e persistentes de compulsão alimentar, mas sem comportamento purgativo).
  • Ortorexia (indivíduos com obsessão por alimentos saudáveis e nutritivos).
  • Vigorexia (indivíduos com obsessão por um corpo musculoso e atraente, normalmente homens).

Outras áreas de atuação